Mostrar mensagens com a etiqueta texto em prosa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta texto em prosa. Mostrar todas as mensagens

António Lobo Antunes - entrevista


"Eu leio todos os dias para aprender"

"Não sei o que o futuro pensará de mim.... na minha opinião fui uma criança a brincar na praia..." citando Newton

para ver a entrevista, clique aqui:
RTP - GRANDE ENTREVISTA
Sete Rios, 22 de Outubro 2009
escolha de Manuela Lourenço Marques

Alma Sobrevivente


Título Original: Soul Survivor: How My Faith Survived the Church
Autor: Philip Yancey
Ano: 2004
Editora: Editora Mundo Cristão
Género: Teologia



Alma sobrevivente - Sou cristão apesar da Igreja, é a resposta de Philip Yancey à pergunta: quem foram as pessoas que o influenciaram, desafiaram e o ajudaram a tornar-se na pessoa que é hoje.

Muitos de nós teríamos pensado num avô, numa professora da escola, num irmão em Cristo ou até numa tia excêntrica. Philip Yancey não elegeu só uma pessoa, mas sim 13! Martin Luther King, Tolstói, Dostoiévski, Mahatma Gandhi são apenas alguns exemplos de pessoas que, directa ou indirectamente através da sua vida ou da sua obra, influenciaram a vida deste autor.

Yancey, começa por revelar-nos que na sua juventude quase abandonou a Igreja por considerá-la racista, retrógrada, despropositada e até abusiva. A razão para não o ter feito foi apenas uma: a sua fé em Cristo. Foi igualmente a fé em Cristo que o levou, mais tarde, a aproximar-se das 13 pessoas que hoje considera seus “mentores”.

Ao longo do livro, Yancey relata os seus encontros com estas pessoas marcantes, seja pessoalmente – muito por força do seu trabalho como jornalista – ou através da marca deixada por eles na História da humanidade. Através do exemplo de vida dos seus “mentores”, Yancey compreendeu a sua própria fé segundo perspectivas que até então nunca antes tinha considerado. Sobretudo, foi com este grupo de pessoas que descobriu que não estava sozinho, que havia outros como ele, igualmente desiludidos com a Igreja, mas profundamente comovidos pela mensagem central do Cristianismo.

Este não é apenas mais um bom livro, é sem dúvida, um livro que muda a nossa maneira de encarar a vida e a maneira como olhamos para a Igreja como Instituição.

É impossível lê-lo sem reflectirmos profundamente nas suas palavras. Mesmo tendo uma vontade enorme de prosseguir a leitura, por vezes damos por nós a parar num parágrafo, ou frase, que nos obriga a tecer complexas e elaboradas reflexões, (que nunca me levaram a uma resposta satisfatória, vencendo-nos apenas pelo cansaço!) capazes de nos levar a um colapso mental-emocional-espiritual-nervoso!

Tenho a firme convicção de que ninguém conseguirá acabar de o ler sem querer desesperadamente dar um outro rumo à própria vida; sem uma vontade sufocante de ser ainda mais, antes que se deixe de saber quem se é.

Em mim, especificamente, este livro deixou marcas de lágrimas angustiantes de quem deseja abraçar um propósito maior, está ansioso por isso, mas olha à sua volta e não sabe como fazê-lo. Acima de tudo, este livro é uma resposta, quando só existia algumas perguntas e milhões de dúvidas. É um livro que nos oferece momentos de coragem, força, sonho, vastidão, liberdade e sobretudo, alivio por percebermos que não estamos sozinhos e deslocados entre a humanidade. Aprendemos que é possível ser cristão, que o Cristianismo é mesmo o que sempre achámos que era e ainda é o melhor caminho que poderemos desejar para as nossas vidas.

Mais importante que tudo o resto, aprendemos com este livro que os cristãos não são perfeitos, em todos os sentidos, mas são pessoas cheias de fé e de vida, e isso, por si só, faz com que nos destaquemos de todos os outros.


Débora Ferrão
Setembro 2009

Dissolução - C.J.Sansom

Título original: “Dissolution”
Autor: C. J. Sansom
Ano: 2003
Editora: Asa Editores
Género: Romance histórico, policial

Este é o primeiro livro de uma série que nos apresenta “Dr. Matthew Shardlake, o corcunda mais astuto dos tribunais de Inglaterra”. Uma personagem atormentada pelo seu físico disforme mas dotada de uma inteligência e perspicácia, bem como um sentido de humor, sem paralelo. É um verdadeiro policial histórico que nos faz lembrar “O nome da rosa” de Umberto Eco.

O romance começa numa altura conturbada, no meio de um processo de dissolução dos mosteiros na Inglaterra do famigerado Henrique VIII. Este, após ter rompido relações com o Vaticano e se ter declarado Chefe da Igreja, nomeia Thomas Cromwell para proceder a investigações nos mosteiros com a intenção de mais tarde ou mais cedo, os dissolver, apropriando-se assim das suas riquezas para encher o tesouro real.

Mas no mosteiro de Scarnsea, na costa sul de Inglaterra, este processo não foi encarado da melhor maneira e o enviado de Cromwell, Singleton, é encontrado decapitado.
Para abafar rapidamente rumores de revolta e não dar tempo ao rei para se enfurecer, Cromwell envia Matthew Shardlake, um grande apoiante da Reforma, pois “os advogados são os maiores bisbilhoteiros que Deus ao mundo deitou” e este não vai deixar nenhuma lacuna por preencher.

Shardlake, juntamente com o seu jovem ajudante Mark, durante vários dias, vai conviver com os ocupantes do mosteiro, que nunca são o que parecem, desvendar mais mistérios e revelar mais segredos sórdidos do que alguma vez pensaria e gostaria.

No meio desta intriga, Matthew Shardlake cruza-se com católicos, ateus e outras pessoas pelo menos apreensivas quanto à Reforma Protestante, o que dá origem a diálogos onde as várias posições doutrinárias se confrontam e a personagem principal deste romance defende a sua posição de protestante de forma convicta, com a qual eu me identifiquei na forma de pensar e suportar a minha fé como nunca vi num best-seller.

“A Bíblia diz que Deus fez o homem à Sua imagem mas eu acho que nós O fazemos e refazemos consoante a imagem adequada às nossas necessidades volúveis” é a última frase do Dr. Matthew Shardlake que reflecte o seu desapontamento ao perceber que, apesar dos homens se dizerem cristãos, cada um faz o seu próprio deus e são poucos os que percebem que a personalidade de Deus não se molda face aos nossos desejos mas somos nós o barro nas Suas mãos.
Joana Loja
Set 2009



Pobres dos nossos ricos

A maior desgraça de uma nação pobre é que em vez de produzir riqueza, produz ricos. Mas ricos sem riqueza. Na realidade, melhor seria chamá-los não de ricos mas de endinheirados. Rico é quem possui meios de produção. Rico é quem gera dinheiro e dá emprego. Endinheirado é quem simplesmente tem dinheiro. ou que pensa que tem. Porque, na realidade, o dinheiro é que o tem a ele.A verdade é esta: são demasiados pobres os nossos "ricos". Aquilo que têm, não detêm. Pior: aquilo que exibem como seu, é propriedade de outros. É produto de roubo e de negociatas. Não podem, porém, estes nossos endinheirados usufruir em tranquilidade de tudo quanto roubaram. Vivem na obsessão de poderem ser roubados. Necessitavam de forças policiais à altura. Mas forças policiais à altura acabariam por lança-los a eles próprios na cadeia. Necessitavam de uma ordem social em que houvesse poucas razões para a criminalidade. Mas se eles enriqueceram foi graças a essa mesma desordem (...)

Filipe Santos partilha connosco este texto de Mia Couto e convida-nos à reflexão
Agosto 2009

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...